19 de dez de 2010

20 movimentos de Ópera Baile do Macunaíma de Rennó no Oficina



Teatro oficina, noite passada. Alguém dorme na rede. Banda e quarteto de cordas prontos, dançarinos do Corpo de Baile se escondem em cobertores pelos cantos. Pascoal da Conceição aparece gigantesco no telão interpretando cartas de Mário de Andrade – movimento primeiro. Macunaíma e a Ópera Baile então nascem na entrada triunfal de Iara Rennó.

Figurinos tropicais. Ambiente tropicalista, natural, brasileiro. A obra expande-se para música, dança, vídeo-arte, som, luzes coloridas, corpo, grito, Mário, oficina, arte, arte, arte. Iara conseguiu tornar palpável o sentimento de sonho que a Ópera Tupi causa; que o (anti)heroi brazuca causa.

Depois de Jardineiro, o quarto movimento silencioso para Nina(r) Macunaíma fez balançar a rede. Alguém despretensiosamente no balanço é a belíssima Thalma de Freitas – não acorda. Cigarros chovem com Conversa quando o Corpo de Baile pede um fumo.

8avo ato - Manifesto Salve o Rio Orixá Xingu -, Iara no alto declama com razão enfurecida a extinção e massacre da natureza e tribos indígenas. O Corpo faz um rio ondulando um pano gigantesco no térreo. A vontade é de mergulho.

Macunaíma vive em Rennó. Em Dor do Autor – movimento 14 –, Pascoal-Mário diz com pesar que errou ao fazer a obra. Rudá e Taperá seguem colorindo o chão até o movimento 17: Bachiana n° 5, de Heitor Villa Lobos. Aqui, a Macunawoman Thalma acorda e desperta a todos com seus agudos de delírios mortais. E o duelo está lançado: Macunaíma X Uiara, Odisseu X Sereias. Mandú Sarará no ato seguinte anuncia a morte do heroi.

Velas,

vozes,

velório.

Vazio.

Zé Celso aparece virtualmente no epílogo do penúltimo ato. Duas horas de ode ao heroi do Brasil e a Mário de Andrade. Em flores, todos ressurgem no último ato, Boi. A Ópera termina em baile com público e artistas fazendo ciranda dançando, sorrindo e celebrando a ressurreição.



À ressurreição, Iara, Mário e todos. Eu vivi um sonho em 20 movimentos.

Foto: Yuri Pinheiro

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E Hoje tem mais:

MACUNAÍMA NO OFICINA – ÓPERA BAILE
Dia 19 de dezembro, domingo, às 20h.
DE GRAÇA!

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