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13 de out. de 2010

Ahhh o $WU (dia 11): R$50 pra estacionar moto, rock’n’roll da idade da pedra, linkin park fail, Mario Bros stoned, jurupinga e frio, muito frio!

Foto por: Michele Santos
Eu tinha combinado de ir de Luigi, trollei e o Mario não guentou #dorrrgas

O terceiro dia de festival foi mais suave. Dessa vez resolvi ir todo errado: sem ingresso, com o dinheiro contado e de moto - e tava frio, muito frio pra ir, imagine a volta. Chegando lá algo nada surpreendente, o estacionamento pra moto também era R$50! Após discussão em vão, lá fomos eu e uma amiga rumo ao Queens Of The Stone Age (QOTSA para os mais íntimos), já que havia perdido o Mombojó e o Bnegão e os Seletores de Frequência.

No estacionamento mesmo já passamos a mão em nossos ingressos especiais (pagamos R$80 inteira na pista comum na mão dum cambista), fomos comprar um gorózinho e um tio fez uma garrafa de Jurupinga a preço de dose pra gente. Ir errado até que deu certo e, enfim, entramos pelos portões do festival que já está prometendo System Of A Down para 2011 (Du-vi-do! Quero muito estar errado).

Dentro do espaço, vimos de longe o Incubus tocar. Morno, mas como não sou super fã nem nada, fiquei lá sentado com uma galera e curtindo o som. Em seguida, era a vez do QOTSA dominar o palco e o público, mas atrasou e a ansiedade fez parecer aquela uma hora de estorvo uma eternidade. Esperamos e esperamos e esperamos, até que então a voz do vocalista Josh Homme anuncia em inglês “Faz tempo, hein” e os riffs de guitarra do Troy Van Leeuwen anunciavam a entrada mais que perfeita com o hino que bota medo em todas as mães: Feel Good Hit Of The Summer.

Foto por Yuri Kiddo
alguém consegue ver o tio Josh daqui?

Embora com alguns problemas na guitarra do Troy, a Rainhas da Idade da Pedra se saiu muito bem no palco. Josh que era um sex symbol do rock com aquela pegada meio Elvis Presley, agora tá só o caroço, gordo e velho; e a setlist poderia ter sido um pouco melhor, não teve nenhuma do primeiro álbum, homônimo de 1998, por exemplo (cadê a Mexicola, caceta?). A reação do público também foi morna, ninguém parecia realmente entender o que é a presença do Queens Of The Stone Age ou o que é o stoner rock de verdade. Geral curtiu, mas não rolou uma fritação como no Rage Against The Machine, não teve sequer um bate cabeça (eu até comecei um com um outro cara lá, mas ficou só na gente mesmo). Mesmo assim, um dos melhores shows do $WU, com certeza.

Por conta do atraso, cortaram a Misfit Love, bem uma das poucas legais do último CD, Era Vulgaris (2007). Podiam ter cortado 3's & 7's, Do It Again, Burn The Witch ou até mesmo a Little Sister, que pouco empolgam. Aliás, desde a saída do baixista Nick Oliveri, em 2003, a banda nunca mais foi a mesma. Mas a redenção aconteceu no final do curtíssimo show da banda, quando eles foderam tudo com o combo I Think I Lost My Headache, Go With The Flow, No One Knows e fecharam com a sinistra e uma das minhas favoritas, A Song For The Dead.

Daí sabe quando o cara goza antes da hora e acaba tudo antes da hora?! Foi isso que aconteceu com o Queens, o show simplesmente acabou no ápice da excitação e eu nem acreditei, fiquei lá esperando com aquela cara de “Já?”, decepcionado mais uma vez com o $WU. Pra quê pau grande se a gozada é precoce?

Segue a setlist:

Feel Good Hit of the Summer
The Lost Art of Keeping a Secret
3's & 7's
Sick, Sick, Sick
Monsters in the Parasol
Burn The Witch
Long Slow Goodbye
In My Head
Little Sister
Do It Again
I Think I Lost My Headache
Go With The Flow
No One Knows
A Song for the Dead



Foto por Yuri Kiddo
söl brazirleño,, non dessist ok//11111 =88

Em seguida, o Pixies fez um puta show. Não conheço muita coisa nem me atrevo a resenhar aqui, mas a banda que influenciou o Nirvana e tantos outros grupos influentes sabe muito bem o que faz e chamou muito minha atenção. Respeito.

No Linkin Park dei as costas e fui embora (e foi a melhor coisa que eu fiz) enfrentar o maior frio que eu já passei na minha vida, de moto na estrada a 8ºC, e ainda por cima, me perdi! Putaqueopariu!

Agora é trampar pra caralho e juntar o tesouro que eles cobram pra ir no ano que vem!

12 de out. de 2010

Ahhh o $WU (dia 9): Carro quebrado, nudez voluntária, rock’n’roll, bate cabeças e frio, muito frio!

Sobrevivi ao Festival $WU. A seguir, como quase perdi o primeiro dia com shows do The Mars Volta e Rage Against The Machine [e do Los Hermanos nhooo]; e o terceiro dia cheio de aventuras.

Depois de enfrentar trânsito na estrada, eu, minha namorada e um amigo chegamos na casa de outro amigo, que mora em Itu. Eba, festa, preparativos e afins. Quando estávamos no trânsito para entrar no festival, numa estradinha de terra estreita e escura, o carro simplesmente parou. Desligou e parou. Como a comoção das pessoas foi muita [ninguém manifestou ao menos uma palavra de consolo], entramos em desespero. “Como assim o carro quebra bem aqui e agora?! Na boca do gol!”. A polícia estava com um carro parado relativamente perto da onde estávamos, e aí fui pedir ajuda, mas claaaaaro que é difícil demais pra polícia ajudar alguém. Os caras não quiseram nem descer do carro, disseram que tinha um cabo de fazer chupeta na base, mas que não poderiam sair dali e se negaram a passar um rádio pra ver se alguém podia ajudar – disseram que não podiam passar a porra de um rádio! Para isso eu só tenho uma frase: FODA-SE A POLÍCIA! Um bando de filhos-da-puta vagabundos que negaram ajuda. E até onde eu sei, isso é crime! Novamente, FODA-SE A POLÍCIA!



Enfim, uma boa alma que cobrou R$50 pra recarregar a bateria apareceu, o que na minha visão não é ajuda nenhuma também por ter cobrado – hoje em dia ninguém ajuda ninguém, só cobra serviço. O carro pegou e mais uma onça se foi no estacionamento gigantesco e sem uma sinalização sequer. Resultado: andar pra caralho no meio da terra e torcendo pra não chover; e na saída aquele bando de gente cansada e chapada parecendo zumbi andando pelo terreno a procura do carro.

Mars Volta, voltei!

Chegamos no final do minguado show dos Los Hermanos, que apesar de eu gostar e respeitar os caras, acho o show fraco e o som tava muito baixo, alguns amigos que foram disseram que dava pra conversar normalmente durante o show deles.

Corremos a tempo para o The Mars Volta. Quando conseguimos nos localizar no meio da galera, pertinho da grade, eles entraram! Conheci a banda no primeiro show deles aqui, no Tim Festival em 2004, e depois disso, TMV se tornou uma das minhas bandas favoritas. Cotopaxi abriu o show – como de praxe – e o vocalista, Cedric Bixler-Zavala, desafinou no começo – como de praxe também –, mas depois deu um show a parte com seus agudos em Eriatarka e Cicatriz Esp, suas dancinhas inspiradas em James Brown e sua presença de palco cada vez mais sóbria. Antes ele se jogava no chão, tinha espasmos e pirava legal, mas tudo bem, ele ainda continua tomando seu misterioso chazinho e fazendo firulas com o microfone. De Omar Rodriguez-Lopez não tem o que comentar, o cara destrói.

Foto por Yuiri Kiddo
fritassaum mill 10

Um show de apenas uma hora e seis músicas poderia ter sido mais bem representado com músicas além do primeiro disco, Deloused En Comatorium (2003); Cotopaxi, do Octahedron (2009); e Goliath, do The Bedlam in Goliath (2008). Além de uma jam bem legal de uma música de 1979 chamada Broken English, da Marianne Faithfull, que eu não conhecia até então. Mas cadê o Fraces the Mute (2005) e o Amputechture (2006)? Confesso que foi meio decepcionante não ouvir nada desses álbuns, mesmo sabendo que um show do Mars Volta de verdade teria que ter umas três horas, pelo menos.

Foto por Yuiri Kiddo
Foto do telão porque eu tava longe pacarai

Cedric e Omar são como Robert Plant e Jimmy Page e Mars Volta é pra mim o Led Zeppelin dessa geração e não me canso nem tenho vergonha de dizer isso. A nostalgia que bateu foi arrepiante, me senti nos anos 60 e 70, com aquela onda psicodélica e progressiva invadindo meu corpo e fazendo a alma desprotegida e destemida sair em direção a algo maior e melhor – Marte, talvez. Só tenho a agradecer o fim do At The Drive In. Doidera!

Segue a setlist:

Cotopaxi
Broken English
Goliath
Eriatarka
Cicatriz Esp
Roulette Dares (The Haunt Of)



Fúria Contra as Máquinas

A fúria do Rage Against The Machine contagiou e foi mais intenso até para os padrões do grupo. Segundo minha mina, o “show do RATM foi uma gozada precoce e desesperada dos fãs” e eu não saberia definir melhor.

Testify abriu o show e umas três rodas de bate-cabeça estavam formadas a nossa volta logo no primeiro riff do guitarrista Tom Morello. E assim foi o show inteiro, geral foi a loucura, ou você entrava ou apanhava, fora as pessoas passando mal abrindo espaço pra passar a todo momento. Teve até uma câmera da Globo quebrada, segundo o fala povo. Nem eu esperava um show tão foda e a galera tão representante do bom e velho rock.

Depois da terceira música, People Of The Sun, dedicada ao Movimento Sem Terra (MST), foi a vez de Know Your Enemy. O público ficou tão enlouquecido que derrubou a parte da grade que separa a pista comum da premium – sugestão via Twitter do próprio Morello. Eu estava num lugar bem para trás e minhas chances de invasão foram por água abaixo. A música parou e os organizadores pediram calma e que o público desse um passo pra trás. Vaiado, foi a vez do vocalista Zach de la Rocha fazer o apelo: “Por favor, se vocês pudessem ir só um poquinho pra trás...”. Em seguida, o hit Bulls on Parade retomou a energia do público – me arrepiou agora só de escrever e lembrar. Mas foi só a próxima música começar, Township Rebellion, que o som novamente falha e uma longa pausa é feita.

Sei lá, tava no Orkut
menine pelada fazendo a linha "eu tô afim, e vocês? rsrs"

Depois disso, uma jam seguida de Bullet In The Head anuncia que o show voltou e sem mais interrupções. Podia-se ver de longe o sorriso de La Rocha se divertindo com o público animado e explosivo. Isso é um bom sinal, pode ser o convite para um próximo retorno. Com a melhor setlist do $WU, o RATM terminou com Wake Up. O bis veio logo após o Hino Internacional Comunista com Freedom e Killing In The Name, com a banda pedindo para que todo mundo erguesse os punhos fechados como os Panteras Negras. Quem agüenta essa sequência?! Sério, pirei.

Vinicius Mansur
Morello com o boné do Movimento Sem Terra, fazendo a linha paga pau

Rage Against The Machine não e somente música, os caras são engajados politicamente e tem essa preocupação em cada discurso em que defendem bandeiras de revoluções políticas e sociais contra o sistema capitalista. Mas uma coisa que não pegou bem foi aquela estrela vermelhona no fundo e a citação ao MST em pleno momento decisivo eleitoral no Brasil. A estrela é um símbolo antigo da banda (sééério?), mas peraí, tem que se ter cuidado com essas coisas, muito cuidado. E vai saber o que rola nos bastidores, eu não duvido de nada.

Mancadas e deslizes a parte, é de arrepiar e se revoltar mesmo quando os caras tocam Know Your Enemy, Calm Like A Bomb, Wake Up, Freedom e Killing in The Name, e tantas outras. Eles chamam para a revolução e é nisso que o povo que os ouve e vivem na pele o que eles cantam deveriam se mobilizar para fazer. É muito louco mesmo ouvir uma banda desse naipe, poder gritar, cantar, bater cabeça e descontar a raiva... Mas e agora?


“It has to start somewhere

It has to start sometime
What better place than here
What better time than now?

All hell can't stop us now”


Segue a Setlist:


Testify
Bombtrack
People Of The Sun
Know Your Enemy

Bulls On Parade
Township Rebellion

Jam / Bullet In The Head
Guerrilla Radio
Calm Like A Bomb
Sleep Now In The Fire
Wake Up

Hino Internacional Comunista

Freedom
Killing In The Name