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28 de nov. de 2010

Em cartaz na 29ª Bienal com a série de desenhos Inimigos, Gil Vicente solta o verbo para o Underkrew

Vivemos numa época alienada, carente de produções artísticas instigadoras, provocativas e políticas. Neste contexto, de 20 de setembro a 12 de dezembro acontece a 29ª Bienal de São Paulo, que nesta edição diz que é impossível separar arte de política.
Uma série polêmica que chamou atenção até da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por querer proibi-la é a Inimigos, do artista plástico pernambucano Gil Vicente que, com jeito simplório e casual, se auto-retratou fidedignamente apontando a arma para alguns líderes políticos. Os 10 desenhos surgem como um grito esperançoso no meio do lixo. “Eu não fiz os desenhos, eu vomitei os desenhos, porque eu tava tão indignado quando caiu a ficha. Eu queria comunicar minha decepção e a total descrença”, diz o artista.

Os retratos são feitos a carvão em tamanho real por um motivo. “Eu queria essa comunicação mais direta, todo mundo já teve algum contato com desenho. Eu achei que o carvão era o instrumento mais adequado pra fazer a série. Não tinha cor pra desviar a atenção pra outra coisa e era mais rápido pra trabalhar do que se fosse um trabalho feito a óleo”.
Inimigos de quem?

De rainha Elizabeth II, papa Bento XVI e presidente do Irã, Ahmardinejad; a Lula e Fernando Henrique Cardoso, Gil justifica seu trampo. “São inimigos dos seres que não têm nada. São inimigos da justiça social. Esses caras, além de não fazer nada, roubam dinheiro pra caralho, é tanto escândalo que a gente toma conhecimento... Eu tinha esperança ainda em Lula, mas em 2005 eu já tava puto da vida. E tava irritado com os absurdos de Bush, irritado com a Igreja, que aprova tudo isso. Então eu escolhi Lula e Fernando Henrique pra mostrar que não era uma implicância específica com algum político, era com toda a raça. Pode parecer ingenuidade minha querer que haja justiça social, mas por que não é pra ter justiça social? Por que as pessoas todas aceitam? Tem gente que vive do lixo, come do lixo e tem gente que nem isso tem".

Os desenhos foram feitos em 2005, curiosamente o presidente Lula é o único que é ameaçado com uma arma, mas sem explicação consciente, Gil só diz que acreditava que “ele (Lula) chegando ao poder, ia botar um pau bem grande em cima da mesa e dizer ‘agora vai ser assim’, e foi igual a todo mundo. Era uma grande esperança, todo mundo chorou e tudo pra ver esse bosta fazer a mesma coisa”.

O artista plástico é desbocado, espontâneo e consciente do descaso que os políticos tratam os cidadãos. Diz que desenharia muito mais políticos ali, que sentiu “fedor de ditadura quando veio a coisa da OAB” e acredita que vivemos uma repressão pior que a dos anos de autoritarismo declarados. “Eu só vejo piorar as coisas. Hoje em dia o que se faz escondido da população talvez seja maior do que no tempo da ditadura”.

Quanto à atual situação artística do Brasil, ele acredita que não existe mais um movimento artístico-político. “Quando a ditadura acabou, tudo se aquietou mais, não tem mais subversivo, não tem mais movimento. Por que agora todo mundo que reclamava não reclama mais? O país ficou bom, por acaso? Os artistas que cantavam daquele jeito, o teatro... ninguém reclama mais nada. Tá muito bom o país. Parece que as leis de incentivo à cultura fizeram calar os artistas todinhos”.
Gil é indignado com a corrupção e defende prisão perpétua contra os políticos safados. “Eu acho que o povo deveria exigir punição muito severa, acho que até prisão perpétua pra quem roubar dinheiro público. Isso é o mesmo que roubar dinheiro de uma pessoa. Aliás, muito pior, porque você tá lá no poder pra fazer uma coisa pra todo mundo. E eu digo isso e as pessoas riem. É uma coisa tão óbvia, tão evidente, que as pessoas dizem ‘claro que não vai acontecer isso, Gil’. Mas por que a gente tá convencido de que não pode melhorar, que não pode ser de outra forma? Se vai ser assim, eu vou reclamar a minha vida inteira".

Eu também quero que seja de outra forma Gil, já somos dois.

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Gil Vicente também tem uma série também muito foda (literalmente) chamada Suíte Safada, também em exposição na Bienal.



29ª Bienal
Parque Ibirapuera • Portão 3 • Pavilhão Ciccillo Matarazzo

De 2ª a 4ª feira: das 9 às 19h.
5ª e 6ª feira: das 9 às 22h.
Sábado e domingo: das 9 às 19h.


Fotos: Yuri Kiddo.

28 de ago. de 2010

Grafiteiro Kboco



Ae pessoal! Hoje vou mostrar um pouco da arte do grafiteiro Kboco. Seu trabalho está sendo exposto na Bienal até dezembro, junto com outros grafiteiros renomados.

Márcio Mendanha de Queiroz, o popular Kboco, nasceu em Goiânia em 6 de novembro de 1978, e há três anos mudou-se para São Paulo, especificamente para Vila Sônia, zona oeste, ou seja, ele é vizinho de bairro do Fel.

Sua arte começa sendo exposta nos muros de Goiânia e também Olinda (PE), e já chegou a ir para a Bienal de Valência, na Espanha, e até no Choque Cultural, aqui em São Paulo, onde Titi Freak está expondo seu trabalho também. O artista utiliza em seus desenhos formas arabescas, geométricas e, principalmente, as cores variantes entre o sertão goiano e o africano.

Pessoalmente, eu achei que as formas geométricas usadas são de um equilíbrio sensacional, e se encaixariam muito bem em qualquer cidade. É uma pena ele ter largado os muros para grafitar em galerias, mas ele disse em uma entrevista que está feliz na cena em que ele atua e que o preço alto de suas obras se dá ao alto custo que ele tem pra fazê-las, além do aluguel para pagar, como todos. Algumas de suas obras me lembraram bastante a escrita árabe, talvez pelos traços.

Ele também já grafitou ambientes de skate. Em um lugar desses, foi feito um vídeo dele pintando que ficou muito louco, dando outra cara ao lugar.




Site http://www.lost.art.br/kboco.htm
Myspace http://www.myspace.com/kboco