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2 de out. de 2010

A Banda de Joseph Tourton - Voando com Joseph Tourton



Em 15 de setembro, o Mombojó tuitou “Baixem o disco da @jtourton!!! http://ht.ly/2DBOD”. Como confio no gosto desses meninos porreta, fui atrás d’A Banda de Joseph Tourton. Entre a calmaria e a inquietação é que se encontra o som desta banda instrumental vinda direta de Pernambuco – lugar no qual, incrivelmente, só vem música boa e está moldando o gênero de qualidade brasileiro atual.

Mais um filho da geração pós Chico Science e Nação Zumbi, a banda com três anos de estrada tem um som maduro para a idade dos membros – todos entre 19 e 21 anos – e logo no álbum homônimo, lançado na Internet com download gratuito agora no segundo semestre, não deixam a desejar, fortalecendo o cenário das bandas independentes e instrumentais que pululam Brasil afora, como os paulistanos do Hurtmold, Pata de Elefante e Eu Serei a Hiena; e os cuiabanos do Macaco Bong.



Produzido por Marcelo Machado e Felipe S., do Mombojó, e Rodrigo Sanches, a impressão que tive quando ouvi a primeira música do álbum de estreia de Tourton foi “hmm isso até que é bom”. Na terceira música, Aquaplanagem, eu já parei o que estava fazendo para prestar atenção só no som dos meus fones. Guitarra, baixo, bateria e teclado fazem um som pesado e suingado ao mesmo tempo. Quando entra a escaleta, já era, fui conquistado. Na música seguinte, 100m, o trompete de Guizado rasga tudo e é uma das minhas favoritas já de antemão. Essa e a que encerra o disco de 10 faixas, After Work Ganja, que apresenta influências brisantes da boa cannabis e da vertente mais experimental do reggae, o dub.

O álbum funciona quase como um coletivo de amigos, com participações de Chiquinho (Mombojó), o pianista pop‐erudito Vitor Araújo (aqui tocando o piano elétrico Fender Rhodes), o trompetista Guizado, os metais de Beto Mejía, Paulo Rogério, Esdras Nogueira, Xande Bursztyn (todos do Móveis Coloniais de Acaju), o produtor e percussionista Homero Basilio (Catarina Dee Jah) e China.



O que eu mais gosto de bandas instrumentais é o fato delas passarem a mensagem sem ter uma letra que conduza o pensamento do ouvinte. Então, apenas com ritmos sonoros e o nome da música, que serve como norte, é que deixo a cabeça divagar tentando entender qual é. Joseph Tourton cumpre muito bem com nomes bíblicos como A Viagem de Isaac e O Triunfo de Salomão, e nomes que mal dizem alguma coisa, como 100m e 16 Minutos – de quê? Isso só eles sabem, meus caros.

Em relação ao nome do grupo, eu posso ajudar. Eles precisavam oficializar um nome pra se inscrever num festival e aí decidiram pelo nome da rua que eles ensaiavam: Rua Joseph Tourton, um suposto aviador da Segunda Guerra Mundial.

E qual a febre? Vê-los ao vivo, lóóógico. O sonho que parecia tão distante por ainda ser uma banda nova e lá de longe de São Paulo, agora é fato concreto e aconteceu mais rápido do que eu esperava. A Banda de Joseph Tourton tocou em julho com o Guizado no Sesc Vila Mariana. Tá, perdemos, mas ela se apresenta no festival Outubro Independente, no Centro Cultural São Paulo, em 21 de outubro (quinta-feira) às 19h. Então anota aí, vacilão, e não perde!



Pode-se dizer que A Banda de Joseph Tourton faz um som que ambienta a trilha sonora de uma vida nada sem graça. Por isso, ouvo!

Ouça o álbum na íntegra aqui:
josephtourton by josephtourton

Gostou, neném? Então BAIXE DE GRAÇA AQUI.

Site Oficial: http://www.josephtourton.com.br/
Myspace: http://www.myspace.com/josephtourton
Twitter: http://twitter.com/jtourton

26 de fev. de 2010

R. Sigma, Outono em Marte, Luno, Bar do Moe's e Us Alive - 20/02/10 Inferno

Após uma semana de Carnaval e muito calor em São Paulo, resolvi deixar o samba de lado e rumei para o Inferno, onde rolaria show das bandas R. Sigma, Outono em Marte, Bar do Moe's e Us Alive. O show também contava (pelo menos no flyer) com a banda Mad Soul, que não tocou.

Chegando lá as 16:38, casa ainda fechada (programada para abrir as 16:00), dei um tempo em uma padaria próxima, até as 17:00, quando a casa abriu. Indo para a porta do Inferno, encontrei o meu amigo e ex-companheiro de banda Rômulo Gonçalves, que estava junto com o Peu cobrindo o show para o Zonapunk. Já que eu tinha ido lá sozinho, foram minha companhia durante os shows.

Após um enorme atraso, com a banda mesmo em cima do palco, após inúmeros ajustes nos equipamentos e óbvia confusão dos integrantes, o Us Alive começa o seu show as 18:00, com um cover de Dear Maria, Count Me In, do All Time Low. Quase sem público, a banda formada por adolescentes estava tímida em palco e os instrumentos desafinados e o baterista errando os pratos e o tempo apenas pioraram a apresentação. Após um fraco cover de Milonga, do Fresno e da música própria O Que Você Queria, acabam o show. Fica evidente que a banda precisa melhorar sua técnica e se esforçar um pouco mais.

Após algum tempo, sobe ao palco o Bar do Moe's. Bem-humorados, tocando um som curto e direto, ao estilo Descendents, com letras engraçadas e diversas tentativas de interação com a platéia, o show foi animado, mesmo que um problema no baixo tenha tirado bastante tempo da apresentação.

Logo depois, é a vez da banda Luno, de Bragança Paulista. Apostando num visual mais indie e tocando bons covers de Last Nite, dos Strokes e Seven Nation Army, do White Stripes, com uma boa performance em palco, afetada novamente por um problema no baixo, que, após ser consertado, não falhou mais. Boa banda, que demonstrou uma boa diferenciação no meio das outras bandas.
Durante a troca de palcos, encontrei meu amigo Caio, baixista da banda Vida, junto com o Lê (bateria) e Jorge (guitarra), também integrantes da banda. Depois de algumas risadas, fomos pra frente do palco, que agora já estava com bastante gente esperando o Outono em Marte, banda que, apesar de ser bastante conhecida e tocar em vários shows grandes, eu ainda não tinha tido a oportunidade de ver ao vivo. Com ótima presença de palco, instrumental redondo, com o vocalista Gustavo interagindo bastante com o público, que respondia de imediato. Com letras inteligentes, um bom baterista e o público já na palma da mão, a banda anunciou que iria ter um show com o Rancore dia 28, seguindo com um cover de Escadacronia. As duas bandas são muito amigas e tem praticamente o mesmo público, ou seja, o Inferno veio abaixo. Sem problemas no baixo, a banda acabou sua apresentação.

Em seguida, o R. Sigma, grande nome da noite, sobe discretamente no palco, já lançando uma introdução, com a bateria sendo tocada a quatro mãos por GB e Tomás. A banda é conhecida por sua virtuosidade técnica, com todos os instrumentos muito bem tocados e ainda assim com uma presença de palco absurda. Mas o destaque mesmo vai para o vocalista Lucas Castello Branco, que pula, dança, tem espasmos, reza, gargalha, cai e faz o diabo sem nunca desafinar. A banda parece estar em um transe coletivo, que é transmitido para o público, que entra na mesma vibração e ensandece. Tocando duas canções em inglês, feitas especialmente para a turnê da banda nos Estados Unidos, não deixou de lado músicas como Precipício e Sobre Trunfos e Bandeiras. O ponto alto da noite foi a execução de O Mito do Insubstituível, pedida durante todo o show pelo público.


Com o fim do show, era fácil ver o sorriso estampado no rosto dos fãs, totalmente satisfeitos com o final do Carnaval celebrado com rock e suor.



Foto - Outono em Marte por: Orelha Fotos
Vídeo - R. Sigma por: Girodo