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10 de mar. de 2011

Fazendo trilha sonora - 'The Album Leaf' e 'El Ten Eleven'

Descobri, meio sem querer, duas bandas muito interessantes - El Ten Eleven e The Album Leaf. Em comum: são californianas, nunca vieram ao Brasil e aparecem mais nas trilhas sonoras de filmes e seriados do que nas rádios.

The Album Leaf é um projeto do músico americano Jimmy LaValle que teve seus primeiros passos em 1999, com o lançamento dos álbuns An Orchestrated Rise to Fall e, em 2001, com o One Day I'll Be on Time. Esses dois primeiros discos já são bastante sensíveis e têm experimentações diferenciadas, como a utilização de ruídos sonoros de ambientes e conversas. O segundo tem um estilo mais chillout, por exemplo a faixa The Sailor. Mas ambos são apenas uma prévia do talento de LaValle. Depois dessas gravações, o músico foi convidado a abrir os shows do Sigur Rós na primeira turnê pelos EUA.

Em 2004, gravou o inspiradíssimo In a Safe Place, na Islândia, onde sua visão musical foi ainda mais desenvolvida. A produção teve um considerável “toque a mais” com a colaboração de três membros do Sigur Rós (inclusive do vocal de Jónsi) e da ex-violinista do Múm, Gyda Valtysdottir. O resultado é minimalismo e melancolia, que parecem ambientar uma espécie de sonho. Window abre delicadamente nossos ouvidos para este sonhar. As poucas letras são boas, remetem a uma tristeza calma, mantida “num lugar seguro”, como na faixa Eastern Glow.

Mais tarde, The Album Leaf lançou Into the Blue Again (2006) e Chorus of Storytellers (2010) - veja o clipe de 'There is a Wind' abaixo. A impressão é de que o projeto amadureceu positivamente. Além disso, tem mais músicas cantadas. Se pesquisar, você também encontra alguns EPs lançados entre um e outro disco.


Falando agora sobre o El Ten Eleven, é um duo também pós-rock, só que mais “alegrinho”. O nome deve ter sido de uma puta viagem deles, porque remete a um avião, o Lockheed L-1011 TriStar. Kristian Dunn e Tim Fogarty fazem um rock instrumental que lembra um pouco Tortoise e Mogwai, consegue ser muito bom tecnicamente sem ser frio. Algumas, especialmente, dão conta da “falta” de letra por dizer muito com bateria, guitarra, baixo, além de uns pedais e loops bem manipulados que dão 'a' incrementada. Chama a minha atenção Every direction is north e Fanshawe, que dá uma sensação de leveza misturada com diversão.

A estreia do duo foi com o álbum El Ten Eleven, em 2004. Três anos depois lançaram o mais caprichado Every Direction is North. Em 2008, veio o terceiro álbum, These Promises are Being Videotaped, com uma cara muito mais eletrônica. Aliás, com uma versão válida de Paronoid Android, do Radiohead. E o quarto (até agora último) álbum de estúdio, It's Still Like a Secret, foi lançado no ano passado. Traz uma das poucas mais dramáticas, Falling.


Eles ficaram um pouco mais conhecidos por causa do documentário Helvetica, que foi justamente onde eu achei esses sons maneiros (rs). A trilha sonora do filme é, em sua maior parte, de músicas do El Ten Eleven, que combinam perfeitamente bem. Gary Hustwit (o diretor) gostou tanto do resultado que o duo acabou fazendo a trilha também de "Objectified" e tudo indica que repetiu a dose em “Urbanized”, que completa a trilogia do documentarista e deve ser lançado neste ano ainda. Assunto para um próximo post...


Trilha Sonora - Helvetica
"Thinking Loudly" - El Ten Eleven
"Lorge" - El Ten Eleven
"Meow" - Motohiro Nakashima
"Helvetica 2" - Kim Hiorthoy
"Every Direction is North" - El Ten Eleven
"Seqy Chords 3" - Sam Prekop
"Central Nervous Piston" - El Ten Eleven
"IPT2" - Battles
"My Only Swerving" - El Ten Eleven
"Helvetica 9" - Kim Hiorthoy
"Tunnel Chrome" - Chicago Underground Quartet
"Seqy Solo" - Sam Prekop
"Bye 2" - El Ten Eleven
"Potala" - Motohiro Nakashima
"3+4” - El Ten Eleven
"Hot Cakes" - El Ten Eleven
"Magic Step" - Sam Prekop
"And Then Patterns" - Four Tet
"Pelican Narrows" - Caribou
"Shine" - The Album Leaf
"Fanshawe" - El Ten Eleven

23 de out. de 2010

Voando de graça e ao vivo com A Banda de Joseph Tourton - CCSP 21/10/10

Foi em 23 de outubro de 1906 que Santos Dumont levantou voo pela primeira vez com seu 14 Bis e se datou no Brasil o Dia do Aviador. Logo, em comemoração, não poderia falar de ninguém menos que A Banda de Joseph Tourton.


Lembra há uns textos atrás quando disse que eles fariam show DE GRAÇA no Centro Cultural São Paulo em 21 de outubro?! Pois é, se você esqueceu, 301 pessoas não e puderam contemplar um bom show no final do expediente, o 4º deles em São Paulo.


16 Minutos abriu o show dos jovens garotos. Em conversa com o multiinstrumentista Gabriel Izidoro (guitarrista, flauta e escaleta), 19, tirou a minha curiosidade e disse que a maioria das músicas são feitas em jam, ou seja, no improviso, se juntando e deixando rolar. E a 16 minutos (que tem na verdade 5 minutos e 24 segundos) foi a primeira música da banda, resultado de uma dessas sessões, e adivinhem quantos minutos tem a versão bruta?


O som é muito maduro e introvertido. O show tem a segunda característica e a presença de palco ainda parece estar em segundo plano para os garotos que parecem se preocupar mais com a música em que estão tocando. Ainda falta algo no ao vivo, mais desenvoltura e desenvolvimento musical, talvez.


Sobre a escolha de uma banda instrumental, Gabriel diz que “simplesmente aconteceu. Ainda não apareceu um vocal mesmo, Ninguém da banda despertou isso também”. Mas isso não parece ser uma preocupação, pois A Banda de Joseph Tourton tem a consciência de que “a música é livre, velho” e isso é o mais importante. Sobre as influências, “toda música é influência”, aí eu não perguntei mais nada, estava ótimo saber que o pensamento é esse.


O pianista pop‐erudito Vitor Araújo fez uma participação especial tocando o piano elétrico Fender Rhodes entre caretas sorrisos e muita competência nas músicas A Festa de Isaac e 100M. Essa última surgiu de outra banda que eles tinham chamada Stage One. “Era uma banda emo nada a ver, era morgado, era ruim. Mas essa música era boa e a gente quis aproveitar. Tinha esse nome mesmo, 100 metros, mas não sei por quê”.


Muito aplaudidos, a banda deixou um gostinho de quero mais e o pessoal até ficou esperando, mas não aconteceu e #3 fechou em grande estilo a apresentação de oito músicas.


Em turnê com a banda argentina Falsos Conejos, o Joseph Tourton tocou no mesmo dia no Studio SP, junto com Macaco Bong, participando do coletivo do Circuito Fora do Eixo. Mas eu tive que ir pra casa dormir.

Setlist
16 Minutos
Lembra o Que
Triunfo de Salomão
Provolone
A Festa de Isaac
100m
Aquaplanagem
#3

Fotos: Yuri Kiddo

2 de out. de 2010

A Banda de Joseph Tourton - Voando com Joseph Tourton



Em 15 de setembro, o Mombojó tuitou “Baixem o disco da @jtourton!!! http://ht.ly/2DBOD”. Como confio no gosto desses meninos porreta, fui atrás d’A Banda de Joseph Tourton. Entre a calmaria e a inquietação é que se encontra o som desta banda instrumental vinda direta de Pernambuco – lugar no qual, incrivelmente, só vem música boa e está moldando o gênero de qualidade brasileiro atual.

Mais um filho da geração pós Chico Science e Nação Zumbi, a banda com três anos de estrada tem um som maduro para a idade dos membros – todos entre 19 e 21 anos – e logo no álbum homônimo, lançado na Internet com download gratuito agora no segundo semestre, não deixam a desejar, fortalecendo o cenário das bandas independentes e instrumentais que pululam Brasil afora, como os paulistanos do Hurtmold, Pata de Elefante e Eu Serei a Hiena; e os cuiabanos do Macaco Bong.



Produzido por Marcelo Machado e Felipe S., do Mombojó, e Rodrigo Sanches, a impressão que tive quando ouvi a primeira música do álbum de estreia de Tourton foi “hmm isso até que é bom”. Na terceira música, Aquaplanagem, eu já parei o que estava fazendo para prestar atenção só no som dos meus fones. Guitarra, baixo, bateria e teclado fazem um som pesado e suingado ao mesmo tempo. Quando entra a escaleta, já era, fui conquistado. Na música seguinte, 100m, o trompete de Guizado rasga tudo e é uma das minhas favoritas já de antemão. Essa e a que encerra o disco de 10 faixas, After Work Ganja, que apresenta influências brisantes da boa cannabis e da vertente mais experimental do reggae, o dub.

O álbum funciona quase como um coletivo de amigos, com participações de Chiquinho (Mombojó), o pianista pop‐erudito Vitor Araújo (aqui tocando o piano elétrico Fender Rhodes), o trompetista Guizado, os metais de Beto Mejía, Paulo Rogério, Esdras Nogueira, Xande Bursztyn (todos do Móveis Coloniais de Acaju), o produtor e percussionista Homero Basilio (Catarina Dee Jah) e China.



O que eu mais gosto de bandas instrumentais é o fato delas passarem a mensagem sem ter uma letra que conduza o pensamento do ouvinte. Então, apenas com ritmos sonoros e o nome da música, que serve como norte, é que deixo a cabeça divagar tentando entender qual é. Joseph Tourton cumpre muito bem com nomes bíblicos como A Viagem de Isaac e O Triunfo de Salomão, e nomes que mal dizem alguma coisa, como 100m e 16 Minutos – de quê? Isso só eles sabem, meus caros.

Em relação ao nome do grupo, eu posso ajudar. Eles precisavam oficializar um nome pra se inscrever num festival e aí decidiram pelo nome da rua que eles ensaiavam: Rua Joseph Tourton, um suposto aviador da Segunda Guerra Mundial.

E qual a febre? Vê-los ao vivo, lóóógico. O sonho que parecia tão distante por ainda ser uma banda nova e lá de longe de São Paulo, agora é fato concreto e aconteceu mais rápido do que eu esperava. A Banda de Joseph Tourton tocou em julho com o Guizado no Sesc Vila Mariana. Tá, perdemos, mas ela se apresenta no festival Outubro Independente, no Centro Cultural São Paulo, em 21 de outubro (quinta-feira) às 19h. Então anota aí, vacilão, e não perde!



Pode-se dizer que A Banda de Joseph Tourton faz um som que ambienta a trilha sonora de uma vida nada sem graça. Por isso, ouvo!

Ouça o álbum na íntegra aqui:
josephtourton by josephtourton

Gostou, neném? Então BAIXE DE GRAÇA AQUI.

Site Oficial: http://www.josephtourton.com.br/
Myspace: http://www.myspace.com/josephtourton
Twitter: http://twitter.com/jtourton