24 de out de 2010

Green Day e Nevilton - Arena Skol Anhembi 20/10/10


Cara, não sei nem como começar essa resenha. De verdade, nesta quarta-feira eu vivenciei algo que nunca nem imaginei que iria acontecer na minha vida. Ok, resenha de fã assumido, com uma das bandas que mais formaram meu caráter e gosto e que faz parte da minha vida há mais de dez anos. Mas antes que todo mundo caia no óbvio e comece a me chamar de puxa-saco, baba-ovo, etc., devo falar que fui pro show do Green Day esperando algo grandioso, muito bom, sim.. mas acabei recebendo muito mais do que eu esperava.

Bom, vamos começar do começo. Quando foi anunciado o show, fiquei empolgadasso e depois de muito enrolar, fui comprar meu ingresso, infleizmente, para a pista comum, já que tinha esgotado a premium (algo que eu vou falar mais pra frente). Enfim, chegado o dia do show, muita ansiedade e uma expectativa de ver uma das minhas bandas favoritas ao vivo pela primeira vez, já que o último show deles no Brasil foi há distantes 12 anos, quando eu tinha 10 anos e ainda jogava Pokémon no meu GameBoy verde.

Fui encontrar com a Jeeh, minha namorada, menina esperta que comprou ingresso pra pista premium, assim como todas as outras pessoas que eu conhecia e que foram ao show. Saindo da minha casa no Butantã, para a casa dela, no Morumbi, até o local do show, a Arena Skol Anhembi, bastante trânsito e lentidão e, chegando lá, uma grande fila já se formava, suavizada pelo amigo Duh, que estava esperando desde cedo por lá.

No último momento, pulei da desorganizada fila que levava a pista premium para a caótica fila da pista comum. Não fazendo quase nenhum esforço, fui um dos primeiros a entrar na Arena, e, sem ser revistado, fui calmamente para a grade, por volta das 16h15 onde notei algo, no mínimo, ridículo. O espaço reservado a galera que tinha ingresso premium era enorme, fazendo com que quem não estivesse na grade da pista comum, ficasse muito afastado do palco, sendo forçado a ver o show pelos dois telões colocados nas laterais. Sei que essa prática de "ingresso premium" é comum (embora eu discorde dela), mas, desta vez, a distância imposta pelos organizadores foi algo totalmente desrespeitoso.

Acomodado, comecei a prestar atenção no público e como a banda tem um público que é dividido em duas gerações. Era nítida a diferença de idades, com gente mais velha, que acompanha a banda na sua fase mais, por assim dizer, punk, em discos como Dookie e Nimrod, e, por outro lado, gente em sua (pré-)adolescência, que embarcou no sucesso dos dois últimos discos, American Idiot e 21st Century Breakdown.

Enquanto esperava as seis horas marcadas entre a abertura dos portões e o horário do início do show (algo que também me deixou irritado, poderiam ter pensado melhor esse intervalo), via muita gente cansada, debaixo de um sol muito forte, uma menina lendo as letras das músicas em um canto, um grupo estudando para a prova do dia seguinte, brigas com os seguranças, gente ansiosa pelo show, enquanto outros cochilavam em pequenos espaços sombreados. Os vendedores de bebidas estavam bastante frustrados, um deles até reclamou que, mesmo vendendo bastante água, não tinha nenhuma pessoa bebendo cerveja, que é a maior fonte de renda destes trabalhadores. Aliás, cigarros, bebidas alcoólicas e drogas ilícitas foram coisas pouco vistas (por mim) no meio do público, coisa que me chamou a atenção, sendo um show de uma banda que fala abertamente sobre estes assuntos em suas músicas.

Com o passar das horas, o Anhembi vai enchendo, pessoas vão passando mal, sendo retiradas pelos bombeiros, que vez por outra dividem o espaço nos telões com as pessoas da platéia que iam sendo filmadas por câmeras espalhadas pelo local. No meio da galera, pessoas fantasiadas de Cup Noodles ambulantes promoviam a marca até que, meio escondido, sem nenhum aviso, Tré Cool aparece rapidamente num canto do palco com a mesma fantasia, provavelmente ignorando que se tratava de uma ação de marketing e dá uma breve acenada ao público.


Às 20h30, sobem ao palco Chuck e Badauí para introduzir a banda de abertura, explicando que a MTV realizou um concurso para definir que banda abriria o show e os vencedores foram os paranaenses do Nevilton, que já subiram no palco sendo vaiados e xingados, coisa realmente idiota e decepcionante. Claro, o som da banda não casava com o do Green Day, que era o motivo de todos os presentes estarem lá. Mas daí a xingar uma banda só porque ela está "atrasando" seu show é criancice.

Puxando para um som mais indie, provavelmente mais acostumados a tocar em lugares pequenos, o grupo se mostrava um pouco tímido na primeira música, um pouco parados, mas com o tempo foram se soltando e começaram a incentivar o público a participar, se não cantando, pelo menos dançando e pulando. Em sua segunda música, mais trabalhada que a primeira, o volume da guitarra foi ajustado, o vocalista Nevilton estava mais afinado, o baixista Lobão começou a agitar bastante e o baterista Chapolla se mostrava mais à vontade, fazendo pequenos malabarismos.


Conscientes de seu papel de banda de abertura, a banda se utilizou disso para chamar o público, repetindo por várias vezes que "em instantes veriam o Green Day", e frases do gênero. Mais para o final do show, depois de algumas breves passagem de noise, e com o público já respondendo bem ao show, Tré Cool aparece rapidamente por trás da bateria de Chapolla, levando o público ao delírio.

Com o fim do show, e ouvindo o som deles na minha casa, minha conclusão foi a de que a banda é boa, realmente gostei das músicas, mas, infelizmente, o público médio que estava no Anhembi preferiu começar a vaiar e xingar a banda antes mesmo do primeiro acorde. A escolha talvez tenha sido infeliz, dada a distância dos gêneros das duas bandas, com certeza o Nevilton teria se dado melhor em outro show, mas, na minha opinião, a apresentação foi válida e me apresentou uma boa banda que ainda não conhecia.


Nesse momento, o público já devia somar 20.000 pessoas, público pequeno para o local, que deixou espaços nas partes mais afastadas do palco, ficando longe de sua lotação máxima. Às 21h30, meia hora antes do anunciado, sobe ao palco o Drunk Bunny, marca registrada dos shows do Green Day, dançando YMCA, do Village People e virando garrafas de cerveja. Logo em seguida, um playback de Song of the Century marca o início do show, que abre com 21st Century Breakdown, que já mostrava o que seria a proposta da apresentação dali pra frente: explosões, chuvas de fagulhas, trabalho de iluminação e som perfeitos, lança-chamas e uma grandiosidade que fazem a palavra "show" soar pequena para o verdadeiro espetáculo que começava a se desenrolar.


Já com o público na palma da mão, cantando junto, pulando, chorando, gritando, realmente extravasando, na segunda música, Know Your Enemy, acontece a primeira mudança de palco, sendo revelada uma bandeira com o logotipo atual do Green Day. Aliás, as mudanças de palco foram freqüentes, de acordo com as músicas que eram tocadas, o que criou uma certa linearidade no show, apesar de serem incluídas muitas músicas no setlist original.



Continuando, logo na terceira música, East Jesus Nowhere, um dos momentos mais emocionantes do show, quando Billie Joe pede que uma criança venha ao palco e sobe o pequeno Gabriel, que, enrolado na bandeira brasileira, recebe a tradicional "salvação" no trecho "A fire burns today, of blasphemy and genocide. The sirens of decay will infiltrate the inside." Finalizando a primeira parte do show, as primeiras músicas fora do último disco, Holiday, Nice Guys Finish Last e Give Me Novacaine e Letterbomb.


Logo após, a troca de palco para uma bandeira vermelha e preta retratando uma figura branca crucificada, abrindo caminho para a esperada dobradinha Are We The Waiting + St. Jimmy, cantadas em uníssono pelo público, sendo que Billie Joe por várias vezes deixava o microfone de lado. Após juras de amor ao Brasil e a São Paulo, repetiu a frase que lançou no entrevista coletiva antes do início da turnê brasileira "this is not a party, this is a fucking celebration!" e emendou Boulevard of Broken Dreams.


Após isso, mais uma troca de palco, com o logotipo antigo do Green Day dá início a parte mais esperada do show pra muitas das pessoas presentes lá: músicas da fase pré-American Idiot. Confesso que fui esperando essa parte, na minha opinião melhor, mas acabei sendo surpreendido com a força que as músicas novas tem ao vivo. E dá-lhe Burnout, F.O.D. e Geek Stink Breath, música que, gravada, não vejo muita graça, mas ao vivo ficou bastante poderosa.


Agora uma pequena nota: Desde que ouvi J.A.R. (Jason Andrew Relva) pela primeira vez, ela se tornou minha canção favorita da banda, porém, sendo um b-side da banda, não tendo aparecido em nenhum disco oficial, a não ser na coletânea International Superhits, já dava como certa sua ausência do setlist. Pra minha surpresa e felicidade, Billie Joe apontou para o meio do público e alguém pediu para tocar a música. Nessa hora, todas as minhas expectativas foram superadas e cantei forte como nunca. Daí pra frente o que viesse era lucro. Ou não.


Seguindo com mais músicas antigas, como Stuck With Me, Dominated Love Slave, Paper Laterns e um trio que deve ter trazido lembranças a todos os presentes que conheceram a banda na década de 90: 2000 Light Years Away, Hitchin' a Ride e When I Come Around. Logo após, uma sequência com passagens de covers de músicas famosas com Iron Man/Rock'n'Roll/Sweet Child O' Mine/Highway to Hell/Baba O' Riley/Eruption/Master of Puppets, seguidas por Brain Stew e Jaded, que pra mim tiveram o mesmo efeito de Geek Stink Breath.



Em seguida, a banda começa a tocar o hino adolescente (pelo menos na minha época adolescente era hino) Longview e escolhe um fã para cantar ela em cima do palco. Aí veio mais uma surpresa agradabilíssima: O garoto realmente mandou muito bem, pirou no palco, dançou, conduziu o público, beijou Billie Joe, abraçou Mike Dirnt, tocou bateria junto com Tré Cool, se jogou no chão e saiu aplaudido sob um coro de "Gordinho! Gordinho!", com Billie dizendo que esse foi o melhor e mais maluco vocalista a subir para cantar alguma música de toda a turnê.


Cada vez mais, era nítido como os três integrantes, além dos músicos "contratados", como os dois Jasons, já parte da banda há muito tempo, se divertiam no palco, não apenas tocando por obrigação, sempre fazendo piadas, não se importando em errar algumas notas, até mesmo rindo desses erros, com uma presença de palco realmente invejável, com sorriso estampado na cara e, claro, ajudados pelos milhares de efeitos especiais. A certa altura, começaram a atirar com as famosas armas de água, logo depois, armas que soltavam papel higiênico e, por fim, camisetas (droga, quase peguei uma!).


Em seguida, Basket Case, talvez a música mais conhecida e emblemática do grupo. O que eu posso dizer? Mesmo não sendo uma das minhas músicas favoritas do Green Day, assim que ela começou a tocar, um filme de toda minha adolescência passou diante de mim e, vou confessar... chorei, foi inevitável.



Seguindo com She, após uma breve pausa, todos voltam ao palco fantasiados e travestidos, anunciando o início da engraçada King for a Day, que foi emendada com um cover de Shout, em que todos os membros da banda foram para a frente do microfone cantar, na ordem, Billie Joe, Tré Cool, Mike, seguidos pelo guitarrista Jason e pelo, então saxofonista (normalmente tecladista) Elvis (na verdade, o outro Jason fantasiado de Rei do Rock), que fez uma bela apresentação. Ao fim da música, Tré Cool ajoelhou na frente de Billie e começou a desabotoar sua calça, provocando muitas risadas e uma sincera falta de jeito no vocalista. Seguiu outra sequência de covers com Break On Through /(I Can't Get No) Satisfaction Hey Jude.



Mais uma troca de palco, com uma bandeira com as duas caveiras da turnê e tocam 21 Guns, momento extremamente emocionante da noite, com uma cachoeira de fagulhas interminável, realmente de encher os olhos e Minority, com muitos efeitos de lança-chamas. Em seguida, a banda se retira.



Na volta, tocam American Idiot e, falando que a próxima música fala sobre cada um dos presentes, Jesus of Suburbia, cheia de efeitos de luz, com chuva de papel picado e público ensandecido no que talvez tenha sido o ponto alto do show para a maioria. Mais uma vez, a banda sai do palco.


Após algum tempo, Billie Joe volta sozinho, para tocar Whatsername, seguida de Wake Me Up When September Ends, quando o resto da banda entra no meio da música, que é emendada com a bela Good Riddance (Time of Your Life). Chega ao fim o show, com Tré Cool distribuindo um calhamaço de baquetas para o público, palhetas inumeráveis voando do palco e uma sensação de transe presente em cada rosto.



Posso dizer, com toda a certeza, que foi não o maior, mas o melhor show, ou melhor, espetáculo que eu já presenciei até agora na minha vida, além de ter sido extremamente significativo. E, sinceramente, acho uma tarefa bem difícil ser superado. Espero que esteja errado e que alguma próxima apresentação me surpreenda ainda mais, quem sabe do próprio Green Day.



Setlist:
01. Song of the Century (Playback)
02. 21st Century Breakdown
03. Know Your Enemy
04. East Jesus Nowhere
05. Holiday
06. Nice Guys Finish Last
07. Give Me Novacaine
08. Letterbomb 
09. Are We The Waiting
10. St. Jimmy
11. Boulevard of Broken Dreams
12. Burnout
13. F.O.D.
14. Geek Stink Breath
15. J.A.R. (Jason Andrew Relva)
16. Stuck With Me
17. Dominated Love Slave
18. Paper Lanterns
19. 2000 Light Years Away
20. Hitchin' a Ride 
21. When I Come Around
22. Iron Man / Rock 'n' Roll / Sweet Child O' Mine / Highway To Hell / Baba O' Riley / Eruption/Master Of Puppets
23. Brain Stew
24. Jaded
25. Longview
26. Basket Case
27. She
28. King For A Day
29. Shout/Break On Through/(I Can't Get No) Satisfaction/Hey Jude
30. 21 Guns
31. Minority

Encore 1:
32. American Idiot
33. Jesus of Suburbia

Encore 2:
34. Whatsername
35. Wake Me Up When September Ends
36. Good Riddance (Time Of Your Life)



Fotos por Karen Lusvardi e Jessica Santana
Vídeos por LBVIDZ, MeuNomeEhGary, gbtersario e pkhessepk

5 comentários:

Jeeh disse...

Foi do caralho! O melhor dia, o melhor show. PONTO.

Cidy disse...

Cara... que inveja... infelizmente não pude estar lá... mas muito obrigada por essa resenha, vc sabe mesmo como fazer alguém "entrar no show". Valeu!!!!!!!!!!!!

Eduardo Moraes disse...

Achei muito boa essa resenha, mandou muito bem, até o meu nome foi citado! HAHA, obrigado! Mas sério, vc soube guardar e destacar cada detalhe, ficou ótimo. Tá de parabéns :)
é nois mlk!

Adriano disse...

É a segunda resenha que leio do show, e a segunda que cita a emoção de escutar JAR ao vivo. Vou te contar um segredo. rs Fui eu e mais dois amigos que pedimos, ela não tava mesmo no set!!! Fiquei feliz, chorei, e fiquei mais feliz e chorei mais um pouco.

Bom saber que mais pessoas ficaram tão felizes quanto eu!

Abs.
twitter: @adrianonunes

bárbara disse...

FOI LINDOO CARA , e agora enquanto eu estava lendo a sua resenha vinham uns calafrios e eu quase chorei, só de lembrar daquele momento maravinhosooo da uma vontade de gritar !! kkkk . Não gosto de comentar mas tenho 13 anoos, hehehehe GREEN DAY NA VEIAAAAAA !!! estranhoo né ... ?