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27 de jul. de 2010

Garage Fuzz, Hateen, e Que Fim Levou Valdir? - Hangar 110 24/07/10


Voltando o blog em grande estilo, venho fazer a resenha de um show verdadeiramente histórico. Me explico: Há seis anos atrás, a cena punk/hardcore do Brasil era algo que realmente dava orgulho de se fazer parte. Bandas como Dead Fish, Noção de Nada, Reffer, Street Bulldogs, A-OK desfilavam um ótimo som em shows e festivais bem-organizados, muitas bandas novas de qualidade começavam a aparecer, formou-se uma base de fãs bastante grande, que tinham gosto de pagar para ver seu artista favorito tocar. Como a cena começou a crescer e ficar lucrativa, apareceram (ainda mais) aproveitadores, que foram minando aos poucos tudo o que tinha sido conquistado até então e hoje, se luta diariamente para voltar àqueles tempos.

Enfim, deixando o lado "velho chato" de lado, vamos ao que interessa: Neste sábado, rolou no Hangar 110 algo que jogou muita gente de volta àquela época, com duas bandas "sobreviventes", o Garage Fuzz e o Hateen, que faria um set especial somente com músicas em inglês, que marcaram vida de muito marmanjo (tipo eu) por aí. Abrindo a festa, o Que Fim Levou Valdir?, banda que começou há seis anos e que ultimamente vem crescendo bastante.

Pois bem, eu e o Fel rumamos para o Hangar, onde encontramos o Gigo, nossa fotógrafa Karen e o Berg, que tá sempre junto nos rolês. Chegamos cedo e fomos tomar uma cerveja com os caras do QFLV?, que estão dando uma grande força para o blog, como vocês poderão conferir em agosto. Um pouco de álcool depois, entrávamos todos no Hangar 110.


O show do Que Fim Levou Valdir?, sempre bastante pesado e com feeling, desta vez foi além, com um show marcante, que agradou ao público, a grande parte visivelmente tendo seus primeiros contatos com a banda, mas que em maioria acompanhava o som.


A banda estava bastante enérgica e motivada, fazendo uma apresentação poderosa, ajudados pelo ótimo som do Hangar, que fazia maravilhas ao duelo vocal de Pedreira e Júlio, além de deixar os instrumentos bastante limpos, apesar do som brutal.


Além de tocarem músicas de seu primeiro CD, tocaram as novas Saramago do Gueto (em minha opinião, a melhor música da banda) e O Monstro, que estarão em seu segundo CD, no qual estão trabalhando. Depois do curto show, algumas pessoas com quem eu conversei e que não conheciam a banda disseram que realmente gostaram do que ouviram.


Durante os shows, a discotecagem da casa mandou bem, com Face to Face, Rancid, Sunny Day Real Estate, Minor Threat, All, Descendents e mais, fazendo a espera da troca de palcos não parecer tão longa.


Com a introdução de Radio 99 soando nos alto-falantes, sobe ao palco o Hateen, tocando apenas seus clássicos em inglês, fase da banda que para mim é muito superior à das canções em português. A casa estava cheia, por uma maioria enorme de gente já rodada na vida e no hardcore, que relembrava um pouco de sua adolescência com aquele show que realmente emocionava.


No setlist especial (veja ela completa no fim da resenha), músicas que remetiam aos tempos em que eu andava de skate e formava minhas primeiras bandas com a galera da escola, como Silence Be My Friend e Mr. Oldman eram cantadas em coro pelo público, que estava bastante animado, abrindo rodas, dando stage dives, tudo em clima de amizade.


No meio do show, uma surpresa que levou muitos, como o Gigo, a ficar com um sorriso no rosto até o fim da noite, um cover de Remedy, do Hot Water Music, seguido por Danger Drive, que contou com a participação de Japinha e Bóris, ex-membros da banda. Indo em frente, Divide Us, o hino Day After Day e, fechando a apresentação, A New Way To Die e I Wanna Change. O Hateen se despede deixando um público extremamente feliz, mas que continuava clamando por mais clássicos, como Girls Greatest Hits, Punkers e Ode To My Family.


Em seguida, o Garage Fuzz entra em palco e começa seu show, com It's Funny. No último show que tinha presenciado dos santistas (resenha aqui), o vocalista Farofa estava doente e apesar de ser um belo show, foi abaixo das expectativas para a banda que tem uma das melhores presenças de palco atualmente. Desta vez, o Garage vinha mostrar que ainda era o mesmo e cumpriu seu papel de forma maravilhosa.


Tocando diversos clássicos que fizeram a alegria da galera, como Variations, House Rules, Old Red Low Top e A Mutt Running Nowhere, a banda tinha o Hangar na palma da mão, cantando em uníssono todas as músicas apresentadas, com exceção de uma nova canção, que deve estar  presente no tão esperado disco de inéditas sucessor de The Morning Walk, de 2005.


É até banal falar de um show do Garage Fuzz, sempre tão redondo, certeiro e energético. Realmente é preciso presenciar a apresentação para entender o quanto de força os cinco integrantes passam para o público, que faz sua parte, cantando junto, pulando, sentindo o som, abrindo rodas, subindo no palco, sempre esperando a próxima música dos setlists quase sempre perfeitos pela banda, algo bastante difícil considerando sua enorme carreira.


Além da nova canção, uma "novidade" no show foi Morgan, Great Friend, raramente tocada ao vivo, dividindo espaço com Too Scared To Try e Buyastyle.com, já velhas conhecidas. Fechando a noite, o Garage deixa o palco com sua missão cumprida e dividindo com as outras duas bandas um dia histórico que deixa mais saudades do que o normal, já que representa toda uma época que se foi (e esperamos que possa voltar, se não igual, semelhante).

Setlist Especial em Inglês do Hateen
Radio 99
You've Gone Too Far
Silence Be My Friend
404 Not Found
Mr. Oldman
Remedy (cover Hot Water Music)
Danger Drive
My Birthday
Hangover
Divide Us
Blind For You
Big Life
Day After Day
New Way to Die
I Wanna Change

Fotos por Karen Lusvardi

12 de mai. de 2010

Garage Fuzz, Dance of Days, Que Fim Levou Valdir?, Zebra Zebra e Pelican Road - Inferno 08/05/10

Estava curtindo meu calmo e monótono sábado quando, de última hora, o incompetente do Mako, que ia resenhar este show no Inferno me avisa que não iria por preguiça e lá vou eu de última hora me ensopar debaixo da chuva torrencial que caía em São Paulo. Chegando na Augusta, encontrei nossas fotógrafas Renata e Karen e depois de algumas cervejas e um maldito bombeirinho que me acompanhou durante toda a noite, entrei no Inferno para ver o primeiro show da noite, da banda Pelican Road.
Dos quatro shows da carreira da banda, já tinha presenciado um que também ocorreu no Inferno, junto do Dead Fish e Fire Driven (resenha aqui) e, de novo, a banda confirmou que é um dos bons novos nomes da cena atual.
Talvez por causa da chuva, o Inferno estava praticamente vazio, o que não desanimou a banda, que apresentou suas ótimas músicas de maneira bastante profissional. 
Antes de tocar The Man Against The Kingdom, anunciaram que um clipe da música logo mais estreará na MTV.
Apesar de alguns problemas técnicos, a banda continuava animada e, logo após tocar Let You Go, anunciou um cover do Restart (que aliás, foi a grande "piada" da noite, com comentários das bandas e público, graças ao vídeo de seus fãs na porta da Fnac), que na verdade foi a ótima You, do Bad Religion, assim como no outro show que eu vi deles e, novamente, fez jus à banda de Greg Graffin.
Em seguida, a banda Zebra Zebra sobe ao palco também mandando comentários sobre o Restart e o famoso vídeo, falando do cabelo do guitarrista Eric. Com um som mais voltado para o indie do que as outras bandas da noite, os bem-humorados integrantes desfilavam canções com letras inteligentes, contando com a presença de instrumentos como gaita e uma percussão que contava com tamborim e agogô.
Algumas das músicas tocadas foram Canção de Amor nº 6, Já Dizia Minha Avó e O Bicho e o Diamante e o público começava a chegar, ainda que a casa estivesse bastante vazia.
Sem muita demora, começa a apresentação do Que Fim Levou Valdir?. Prestes a lançar um novo disco, apresentaram suas canções em um show pesado e poderoso, com um belo duelo de vozes, que fez o Inferno encher mais ainda e o público se animar e começar a cantar algumas músicas.
Em cima do palco, a banda, como sempre, fez um show agressivo e apresentou também uma música de seu novo CD, chamada Saramago do Gueto. Já nas últimas músicas da apresentação, a casa já estava bastante cheia, com gente que já garantia seu lugar para assistir o Dance of Days.
O grupo liderado por Nenê Altro subiu ao palco muito aclamado e com o público já na palma da mão, abrindo com músicas do disco Six First Hits, fazendo, como sempre um show com uma ótima presença de palco, com os integrantes dividindo os holofotes igualmente, coisa muito rara hoje em dia.
Conversando bastante com seu público, Nenê Altro comentou sobre o momento passageiro das bandas de "moços bonzinhos", enaltecendo a cena independente.
Entre músicas como Se Estas Paredes Falassem e Suburbia, 1986, Nenê voltava a falar sobre estas bandas novas e, lançando um "duvido que eles encham o Inferno deste jeito", logo seguido de um "infelizmente, o dinheiro manda e elas encheriam" pelo guitarrista Tyello.
Tocando também um cover de Rise Above, do Black Flag, fecharam com Last Kiss Missed, também do Six First Hits. Com o fim do show, boa parte do público, que estava abrindo rodas, cantando junto e dando stage dives, saiu da casa, assim como muita gente entrou para ver o Garage Fuzz.
Abrindo o set com Old Red Low Top, que já deixou a galera animada, o show prosseguia com sons já bem conhecidos das apresentações ao vivo, como When All The Things, A Mutt Running Nowhere, Replace e Embedded Needs, como sempre sendo muito bem executadas, facilmente se comparando ou até mesmo superando os registros em estúdio, em um dos shows que é considerado um dos melhores do Brasil.
A banda em geral estava bastante animada em palco, com exceção do vocalista Farofa, que, como falou para nossa fotógrafa Rê, estava com uma dor de cabeça muito forte, o que mesmo assim não atrapalhou muito a apresentação.
Na pista, a galera fazia sua parte, cantando as músicas, dançando, abrindo rodas, dando stage dives, etc. O show tinha sido amplamente divulgado por todas as bandas e, principalmente pelo fato de as duas headliners sendo bandas "de peso", o Inferno não estava cheio provavelmente por causa da chuva, ou então do ingresso com preço maior do que a maioria dos shows, sendo vendido a R$25,00.
Continuando o set com Ignore List, Post It Reminder, Observant, Dear Cinnamon Tea, House Rules, entre outras, o show foi encurtado por causa de outro evento que iria acontecer na casa, fazendo com que as músicas Engines and Tools, The Morning Walk, Tireless On Fire, Eye Witness e Too Scared To Try, que estavam na lista original não fossem tocadas, assim como Variations, muito pedida pelo público.
Um show bom, já que se tratava do Garage Fuzz, mas uma série de pequenos problemas tiraram um pouco do brilho da apresentação e deixou a galera na parte de fora da casa com uma sensação de insatisfação, não por ter sido um show ruim, mas sim por quererem ver mais músicas, mais emoção, mais Garage Fuzz.

19 de jan. de 2010

Fire Driven, Zander e Garage Fuzz - 15/01/10 Hangar 110

Primeiro show do ano e primeira resenha de show do UnderKrew e, sinceramente, não poderia ter começado de maneira melhor.

O ótimo DVD do Garage Fuzz, Definitively Alive vinha recebendo elogios e críticas positivas, como a boa resenha feita por Wladimyr Cruz, dono do Zonapunk (aqui), desde que foi lançado pela Ideal Records, junto da Flame Discos. Para comemorar o registro, um show de lançamento no Hangar 110, com o Zander e o Fire Driven.

Algumas semanas antes do show, amplamente divulgado, muita gente já se mobilizava pra garantir seu ingresso, sabendo que seria um evento imperdível. Tudo isso resultou em um show com lotação esgotada.


Bom, depois de ter sido abandonado pelos meus colegas de blog Mako e Fel, que iriam comigo ao show, resolvi ir sozinho e rezar para ainda ter sobrado algum ingresso na porta, já que já estavam rolando comentários de que os ingressos na Galeria do Rock estavam esgotados.
Com o calor e a chuva dando uma trégua, cheguei no Hangar pelo fim da tarde e encontrei a Jeeh, que também estava sem ingresso.


Após algum tempo de espera conseguimos finalmente comprar nossos ingressos e entrar na casa. Dando uma passada na banca de merchandising, conferi as belas camisetas do Zander, que trouxe todo o catálogo de cds de bandas amigas do Rio, como o Cinedisco e o Deluxe Trio. Além, claro, do DVD do Garage Fuzz, produto de altíssima qualidade e totalmente recomendado.

Após algum tempo, abrem-se as cortinas e, no palco, o Fire Driven começa sua apresentação. Devo confessar que a banda, para mim, ainda era um incógnita. Com a presença do veterano Cesar Lost (ex-Againe/Street Bulldogs/Dance of Days), a banda toca uma mistura de grunge com hardcore 90's, que acabou não empolgando o público presente, que deixou um grande espaço à frente do palco. A banda também não mostrou tentativa de interação com a galera e o show foi bastante frio.

Após o término do show, o Hangar começou a encher absurdamente, o calor aumentou e, após algum tempo, a "all-star band" Zander sobe ao palco.
Com integrantes como Phil (ex-Reffer, atual Dead Fish) e Sanfona (ex-Noção de Nada), tendo como frontman, compositor e idealizador o "lendário" Bil (ex- Discoteque/Noção de Nada/Deluxe Trio), o show era muito esperado, ainda mais pelo fato do Zander não fazer tantas apresentações em São Paulo.

Tocando todas as doze músicas de seus dois EPs, além de dois covers das ex-bandas de Bil, uma do Discoteque e a ótima Um Pouco Mais Além, do Deluxe Trio, o Zander era acompanhado do público, que cantava a plenos pulmões, dava stage dives e abria rodas.

Músicas como Pólvora, Dezesseis e Senso botaram a galera pra cantar e mesmo quem não conhecia a banda aplaudia com gosto. Em Construção, minha música favorita do Zander, ganhou novo ritmo e fôlego com algumas mudanças feitas para o palco, alcançando seu épico final de maneira explosiva.

Durante Ponte Aérea, subiu ao palco um "inspirado", que cantou durante um bom tempo o "la laia laia" da música, em uma performance que foi recebida com bom humor pela banda, tendo uma salva de palmas puxadas pelo próprio Bil. Para finalizar, a bela Depois da Enchente, aonde a banda deixou o público cantar quase que a música inteira, entrando apenas no clímax final.

Muita gente ficou decepcionada esperando ouvir Ímpar, do Noção de Nada, regularmente tocada nos shows do Zander e ouvi alguns berros de "Toca Reffer!", mas que não foram atendidos.

Show realmente forte, ótimo. Performance explosiva, loucura dentro e fora do palco, galera agitando bastante. Comentários que este tenha sido o "melhor show do Zander em São Paulo" tem sido comuns na comunidade do orkut do Zander.
Espera, ansiedade, expectativas e... "TÁ VALENDO!"
O Garage Fuzz sobe ao palco e faz o Hangar vir a baixo. Já nas primeiras músicas, a banda mostra porque é um nome tão grande e respeitado do hardcore nacional. Farofa, carismático como sempre, comandava a banda, que é famosa por ter uma das melhores performances ao vivo do Brasil.

Porém, após algum tempo, grande parte do público já mostrava sinais de cansaço, com uma parte do público parando de agitar e tentando respirar melhor no abafado Hangar lotado. Por outro lado, alguns estavam agitando demais, ficando tempo demais no palco, atrapalhavam a banda, chegando ao absurdo de um garoto ficar por longos cinco minutos "ameaçando" que iria pular. Realmente triste essa atitude, mas nada que desconcentrasse os afiados GF que, como sempre, fizeram um bom show, contaram piadas, deram o microfone pra galera cantar e interagiram bastante com o público.


O repertório, como sempre, recheado de clássicos, seguiu o DVD, com House Rules, que fez o Hangar ficar pequeno, cantando em uníssono, realmente um hino. The Morning Walk, com vários marmanjos fazendo coraçõezinhos com suas mãos e curtindo a música, A Mutt Running Nowhere, Old Red Low Top, Observant e Embedded Needs. Um dos maiores sucessos, When All The Things... I Sell Again não foi tocada. Destaque para uma passagem instrumental, de deixar qualquer um de queixo caído.